Um blog da diáspora blasée


23.1.08

Taxi driver

Depois da desconstrução, no consultório com flores de plástico do Dr. Zieger, apanho um táxista enlouquecido que vai de Copacabana até ao Leblon - o novo Hotel Fasano no Arpoador seria um local de eleição, não estivesse neurasténica - a cantar, você tem glamour, quem é você, você tem glamour, quem é você, você tem glamour, quem é você, e eu sei lá quem sou eu, o Zieger acabado de dizer que houve algures um problema na construção do Self, que merda e já a chegar à praia, esquina com a Venâncio Flores, totalmente entregue ao seu devaneio, gritou-me esta doce paneleirice, eu já fora do carro: Sua estrela vai brilhar. Acabei por ir comprar ovos e coca-cola a flutuar, como no disparatado livro do Auster.
Misericórdia. Tenham dó. É capaz de passar, sim.

21.1.08

A ver se leio o Monte dos Vendavais

E então, enquanto esperávamos os nossos sakés, à luz parca das velas que burilavam nas mesinhas pequenas do restaurante da moda, sito à Rua Dias Ferreira, no Leblon, eu acenderia um cigarro - não, não fumo mas gostava tanto - e olhar-te-ia nos olhos, enquanto tu me perguntarias subitamente enraivecido ou enternecido (you choose): Mas tu tens algum "culpómetro" que te permita fazer juízos desse calibre?
Chovia aquela chuva molha parvos que eu seguia por cima do teu ombro, após desviar o olhar do teu, alarmada com a merda da intimidade a que terias acabado de te permitir.
Chovia ou garoava, não sei bem.
Apagaria o cigarro quase intacto, que se partiria ao meio, no cinzeiro transparente em cima da mesa e concentrar-me-ía na dupla de fois gras à nossa frente.
Tens que ler o Monte dos Vendavais, lançaste, só para disfarçar a pouca destreza no uso dos hashi.

18.1.08

Burt and Barbra



"Staying away from the delete button."

O Rio é uma cidade de passeadores de cachorros, Pet Shops, jornais na porta, meninos pretos malabaristas nos sinais cheirando cola, chauffeurs, lavadores de vidros, empregadas fardadas, mordomos de luvas brancas, entregadores de tudo, drogarias, sebos, táxis imundos, meninos fardados com o uniforme dos colégios, livrarias, flamboyants, favelas, tiroteios, ipês, mar, surfistas, farofeiros na praia ao Domingo, lajes, coberturas, bocas de fumo, cigarras, vans, ônibus, jaqueiras, churrascos, madames, pedintes, maconheiros, botecos, armarinhos, padarias, bondes e bailes funk. Policiais militares passeando pelas ruas da Zona Sul em carros com marcas de balas e trabucos de fora. Garotos malhados, algumas patricinhas, muitas popozudas. A favela e o asfalto. O açúcar mais doce, a crueldade mais atroz. O Rio era a cidade onde vivia o Chico Buarque, que caminhava pelo calçadão do Leblon, plenas duas da tarde, nos dias escaldantes de verão e escrevia sobre Budapeste. E isto pode bem ser um fim, ou um começo.

16.1.08

Maybe i´m the one with the red hair

Irrita-me a frase Eu tenho uma vida. Irrita-me, irrita-me mesmo. Mas deixo que a digas, pior deixo que ma digas. Pode ser que te faça sentir melhor. Ás vezes não acordamos todas assarapantadas? Eu que tenho acordares de monstra, sei o que isso é, percebo-te e lá onde falamos, para que me ajudes a manter a minha sanidade mental, escrevo: RISOS. Depois viro-me na cadeira, torço-me um bocadinho, esfrego os olhos - mais do que devia porque me enruga - e deixo-te um bocado a teclar pró boneco, agora vais ficar aí a teclar pró boneco, até que te canses. Invejo-te. Invejo a certeza que pões nas palavras, invejo aquele Eu tenho tão assertivo. Porque desde os tempos em que ouvia aqueles rapazes de Sagres, devia ter praí uns dezassete anos e em que te escrevia aquelas cartas com a caneta vermelha, que se me esvaiu a assertividade. Todos os anos um bocadinho e tanto, que ás vezes chego a gostar da vida que levo. E no entanto, ai ajuda-me lá como é que era? Beijos não se pedem, dão-se?


Foto gentilmente cedida pelo Deus.

15.1.08



odeioescreverprefiroverolharmãoslentesgracekellybochechasvestidosbailarinasfacascordasmalasaliançastwentyonechelseanygesso

14.1.08

SushiLeblon Delivery


"(...) eu tenho uma paixão por líquenes, arranco-os para os ter e ver e mexer da mesma forma que os deito fora, tal e qual como as pessoas fazem às pessoas (...)"


13.1.08

Prof. Alfredo Zieger

O diálogo e a posterior divagação apareceram pois cortadas. Se bem que tudo isto lhe fizesse imenso sentido e tivesse como objetivo retratar a violência já conhecida do Rio de Janeiro.
De cada vez que tal acontecia, e cada vez acontecia com mais freqüência, Marta sentia-se altamente perseguida e chegava a levar as coisas para o campo pessoal. Não sem alguma razão, que via ela agora, as relações com essas figuras sinistras que eram os editores, tinham cambiantes bastante nebulosos, quase pornográficos. Nada que ela não tivesse sempre imaginado, Sebastião havia sido por alguns anos assistente editorial e contara-lhe cenas mais ou menos picantes entre outros editores, ela estranhava porque nunca ele e algumas autoras ou candidatas a autoras, que perdiam a cabeça e os bons costumes só da possibilidade de se verem editadas.
Mas para Marta, pior que vir a ter que abrir as perninhas, era a sensação de que aquele homem sabia já mais dela e da sua incapacidade literária que qualquer outro, Miguel, Sebastião ou o próprio Professor Alfredo Zieger, psiquiatra renomado, a quem se habituara a mentir desvairadamente.

11.1.08

ora, ora...

Se eu tivesse um editor havia de ser um editor assim, que dissesse coisas dessas, Há treze anos mais ou menos ontem mais ou menos hoje ou amanhã. Que escrevesse um livro e lhe chamasse, se me comovesse o amor. Que me fizesse escrever um livro qualquer e lhe chamasse uma bosta qualquer que eu deixaria eyes wide shut. Se eu tivesse um editor haveria de ser um que me estivesse sempre a ameaçar, Ai de ti. Se eu tivesse um editor só podia ser o FJV. There´s no music of chance, pá. E agora vou ali lavar as mãos que só me cheira a cebola e uma gaja não é escritora full time: tem bocas para alimentar e outras para seduzir. tchau. have a nice weekend.

10.1.08

Sebastian thinking

Quando Sebastião se meteu dentro do avião para atravessar o oceano rumo a São Paulo, uma cidade que lhe interessava pêvas, era esta mulher que ele queria. Incrível porque Marta não era sequer o seu tipo físico. Nunca tinha gostado de ruivas e ao contrário da maioria dos homens que têm fetiches com ruivas, sempre que ela se despia tinha sérias dúvidas se era com uma mulher de pelos púbicos cor da cabeleira de um palhaço, que iria passar o resto da vida.

8.1.08

Padaria Rio-Lisboa



Tempo abafado, bifes com batatas fritas para o jantar. A ler O Romance Acabou, do Rubem Fonseca. Mas às vezes preciso de ler coisas anglo-saxónicas. Oiço Burt Bacharach, não escrevo a ponta de uma frase de jeito. O meu filho ganhou o tal celular. A padaria Rio-Lisboa continua suja imunda, que aqui não há Asaes. Lá, compro sempre um frango assado que costuma ser transportado a arrastar pelo chão. Quem quer também compra umas batatas calabresas, feitas na gordura que os frangos vão escorrendo enquanto assam na máquina. Um nojo, mas especialmente saborosas. Saiu no Globo que as praias estão todas impróprias. Muito coliforme fecal. Cócós a boiar. Achei o mar, hoje de manhã, especialmente caudaloso. Os putos surfaram toda a manhã. Voltei a correr. A cara da Marisa Letícia está igual à da Marta Suplicy. Pensei que podia estar grávida durante toda a semana passada, pensei nos nomes: Rosarinho, que era o nome da minha tia, ou Salvador já que me viria salvar de um descalabro eminente. Já ia a Lisboa, também. Era um pão na chapa e um cafezinho, Seu Zé, por favor.

6.1.08

Love Story

Os diálogos, depois das cenas de sexo eram a parte mais delicada. As pessoas dos livros deveriam falar como na vida real e já agora foder como na vida real. E nem falavam nem fodiam. Ou fodiam, mas mal.
Apressemo-nos, que apesar destas deprimentes considerações, Sebastião continuava a querer estar com Marta, e cada vez mais e exatamente dessa outra maneira que todos sabemos qual é, e que nos fez rir à toa, dado o seu problema de expressão, causado mais por embaraço que por totozice, mas não sejamos nunca caridosos com Sebastião, que deitado, de pau duro numa cama e fodendo à bruta ou comendo-a como nunca ninguém, inspirava tudo menos caridade. Havia no entanto, um pequeno atenuante, Sebastião, o megalomaníaco, rabugento, arrogante, estava passadinho de todo, talvez apaixonado.

4.1.08

Aganju

Estávamos no Jobi, umas três e tal da manhã tomando a saideira, quando entra a Bebel Gilberto. Eu que sou conhecida pelos meus amigos por estar sempre a ver figuras públicas em pessoas comuns, uma vez, em Nova Iorque, vi o William Hurt a comprar calças de ganga, disse: Olha acabou de entrar a Bebel, ali ali, estão a ver? Esperei que se certificassem com os comentários jocosos habituais e comecei a gritar: BE-BEL, BE-BEL, BE-BEL.
Tenho 37 anos. Não me lembro dos meus pais com coisas destas aos 37 anos. Devo ser uma extravagante ou uma alcoólatra.

3.1.08

Livraria da Travessa, Leblon.






Projeto arquitectónico: Bel Lobo.

mais Travessa...




2.1.08

Não gostar nada de mulherzinhas

Pois bem nunca gostei daqueles seres que nas festas de adultos mais pensam no bem estar das crianças. Sequer me passa pela cabeça o que vai ser a comidinha das crianças e se há balões, ou se as ditas se podem queimar com as velas, ou afogar no mar, ou ficar enlouquecidas porque escorripicharam os copos todos. Normalmente vêm ter comigo a meio da noite, esganadas, mando-as comer batatas pala-pala cheias de gorduras trans, ou em casos extremos amendoins e cajus. Adoram.
Pois bem, mas foi exatamente no meio de mulherzinhas hiper extremosas que passei o Reveillon. E ainda tive que passar a noite a dizer RE-VEI-LLON, que é uma palavra que não lembra ao menino jesus e que sou incapaz de pronunciar sem me engasgar; Tive uma professora de Francês que metia tanto medo, que morreu antes do ano terminar. Tinha 15 anos e só agora consigo verbalizar isto, Não há coincidências, there´s no music of chance babies.
Coca Cola never, entrar no mar never, never, never. Lá para o meio da noite tentei oferecer um trago de Skol a uma HC ruiva irritantezinha, que em vez de experimentar, ceder à tentação não, desatou aos berros e foi fazer queixa ao invisível pai. Invisível ou nerd, a blogger aqui hesita na caracterização da personagem.
Tive atrás de mim uma outra, feia ainda por cima, acho que não, que não era a mãe da ruiva irritantezinha, enfernizando-me toda a noite com mini hhottteee doguis, mini brigadeiiriiinhos, mini pastinhas, mini fodinhas (isso não tinha, claro) numa simpatia trucidante.
Como também sou educada e não queria ficar sem lhe dar nada, ofereci-lhe o que tinha: um mini baseadinho, mas a essa altura ela já devia estar zangada comigo e não quis.
Pulei sete ondas com alguma dificuldade motora, comi quatro passas, as outras cairam no chão e quis ficar com um barquinho lindo que tinha vindo dar à praia, já sem flores. Elucidaram-me que se o fizesse o ano ia ser catastrófico e eu iria passá-lo todo a falar inhos e inhas possuída pelo espírito bonzinho da Xuxa. Pelo que o deixei ficar, largado na areia.
Catástrofes por catástrofes prefiro as que não posso evitar. Os garis que se lixem, vai sobrar pra eles.
A propósito, não liguei a ninguém, nem ninguém me ligou. Água de beber, água de beber, camarada.


31.12.07

Iemanjá




29.12.07

No banho

Estava no duche, cuidando do meu hemorroidal, exatamente da forma que o ginecologista me aconselhou aí em Lisboa, isto é: cuidadosamente, quando me ocorreram três idéias para um post, não me perguntem se exatamente na ordem. Garanto que esse pormenor não tem a menor importância. E façam por esquecer o hemorroidal, uma manobra com vista à obtenção de links de gajos tarados.
Então já lá no reino das idéias,completamente debaixo de àgua, ocorreu-me a cena das almas gêmeas e onde é que elas se postam e onde e como aparecem e o raio que as parta, logo seguida da constatação lugar comum, óbvia e esquerdista da merda, de que a praia é o lugar mais democrático do Rio de Janeiro. E infelizmente é.

Sobre as almas gêmeas eu odeio a minha já viram, se bem que ontem, após o bundólogo ter vindo amoroso, num pulinho a casa buscar dois vodkas tónicos trinta minutos antes do sol se pôr atrás dos dois irmãos, numa palete de tons que agradaria a Turner, se bem que ontem, eu ia dizendo, ela quase me ter parecido uma alminha boa.
Por certo a altura do ano e o calor de quarenta graus amoleciam minha mente, (vejam que até dropo o Turner) meus olhos, meu corpo aparvalhado da cabeça aos pés. Mas sim, achei-a uma alminha boa e lembrei-me de quando ela me fazia vir, lapsus linguae, rir.

Agora a praia. A praia também é um romance giro do Alex Garland, isso lembra a Tailândia e se quisesse divagaria, mas ainda não tomei nem uminha, incapaz, tão longe fica a Tailândia, há um hotel em Bangkok e outro em Pucket e sim e pois. Not my beach, in english ou em português, não vamos por aí que essa não é a minha praia.
A minha praia é a do Leblon, frente à barraca do Panela, copos de plástico no chão, cocos, velas com pedidos a Iemanjá, todos os moradores da Cruzada São Sebastião, alguns do Vidigal, Luana Piovani, Dado Dollabela. Não é uma praia fácil. Principalmente num Domingo de Verão, mas é a minha e quando não estou para Caiçaras, misturo-me que é pra não ser parva. Na juventude ouvi o Sérgio Godinho e fui duas vezes à festa do Avante.

O processo criativo nesta casa (odeio quando os bloggers se referem assim ao blogue e a si, odeio ser considerada uma blogger, mas ao mesmo tempo talvez seja engraçado passar a preencher papelada assim: Blogger-Do Lar) é deprimente.

Quatro blogs que eu gosto e tiveram a lata de vir dizer que gostam deste blog cujo assunto é sempre de ir ao cu, ai desculpem, hemorroidal: Pedro Rolo Duarte, Destaques a Amarelo, Berra-Boi, Nuno Miguel Guedes. Eu sabia que tinham bom gosto.

26.12.07

A Caloi

Todos os colegas do meu filho mais velho (10) têm celulares. Há dois anos que o miúdo, que aqui já é quase um pré-adolescente - há mais calor, os bichos todos são maiores, as baratas são gigantes, gordas e vermelhas, os piolhos inacreditáveis e portanto as crianças seguem o mesmo padrão e ficam crescidas muito mais depressa - me faz o mesmo pedido: quero um celular. Há dois anos que não lhe dou a porra do celular. O ano passado foi porque estava aí e aí os telemóveis estão adstritos às redes locais e pronto safei-me, este ano engodei-o, não sei se é assim e está um calor do caraças e quero ir para a praia rapidamente, desculpem, com uma bicicleta Caloi, o sonho de consumo de qualquer menino ou menina da minha idade, quando tinhamos dez anos. Ele gostou e tal, mas daqui a um mês, mal comecem as aulas há-de voltar com a mesma conversa. A tal que me faz sentir uma talibã em potência: Fogo mãe, só eu e o Bernardes não temos telemóvel na turma. For the record, o Bernardes é o "outro" tuga, o que também não tem computador no quarto e que quando vai à Europa é pra ir a Sta Iria da Azóia ver a família. Neto de padeiros, coitado do Bernardes, não tem como fugir, pra sempre será. E eu também, mesmo não sendo, mas adoro pão, não passo sem um pãozinho com manteiga à refeição e não me importo nada com a discriminação setorial, tenho todo o gosto sim.
E o avô há-de ligar a perguntar o que eles querem de Natal. Lá irei mais uma vez safar-me, que se há coisa que não aguento, é a pressão da maternidade consciente. Mulher de porcaria, ou uma porcaria de mulher. Puta de merda ou merda de puta. Isto já não tem nada a ver com a Caloi. Evidentemente.

21.12.07

Feliz Natal

Gomes, proprietário do restaurante Alfama dos Marinheiros, em Sampa.
Fotografia G1

20.12.07

azul por todos os lados

Por mero acaso tive a sorte de só me cruzar com dois grupos de portugueses durante estes dias em Búzios. Como tudo na vida e também no mundo, Búzios já foi uma maravilha maravilhosa, hoje é só uma maravilha, mas dá muito bem pró gasto. Pra quem é bacalhau basta, estamos na época, e sim vou comer. Embora vá consoar em casa de uma amiga argentina não me perguntem que não faço a mínima sobre o que comem os portenhos, levo o tal do meu bacalhauzito, isso me basta. Hope so.
Mas como dizia, tive muita sorte e em cinco dias, quatro noites, só dois grupetos passaram por nós, disfarçados, quer pelos meus escandalosos decotes, quer pelo linguajar carioca de minha proletária prole, brinco com as palavras, óbvio.
Aos primeiros ouvi dizer que aquilo parecia muito o Montijo. Não sabia que o Montijo estava tão engraçadito. Fiz muitos sinais à proletária prole. Sinais indicativos de fecharem a boca, não fossem também eles passar por portugueses, o que como toda a gente sabe, nenhum português gosta, quando há assim encontros fora de portas. Bimbos, bimbos, bimbos, três vezes bimbos.
Os outros que vi não eram bimbos, eram grunhos. Da Madeira. Surravam, a mando da avó, a criança que já vinha gritando ao longe. E Dá-lhe um beliscão!, foi o que consegui ouvir a velha aconselhar entredentes, enquanto a mãe da horrivel criancinha vulgo HC, me olhava de esguelha e resolveu passar ao inglês, claro muito mais fina e o caraças, dá-lhe lá com o inglês: Marito i shall say this only once be quiet or i´ll spank you and beliscate you.
Na dúvida fiquei, se o casalzinho que comprava metade da Richards, ele sapato de vela e calção demasiado florido, ela desengraçada e com nuances de tia também eram. No entanto fizemos apostas e olhem Búzios é muito, muito pior que o Montijo.
No escurinho do cinema, chupando dropps de anis, longe de qualquer problema, perto de um final feliz... (a benção, Rita Lee)

14.12.07

Dancin Days


FÉRIAS

Travessão






Sem escadas rolantes e principalmente sem alcatifa: Livraria da Travessa, em Ipanema. Para breve aqui a loja do Leblon.

13.12.07

Um Natal Tropical

Vamos lá então, que sempre fui muito bem mandadinha e hoje, em terapia via google talk me aconselharam a postar sobre o natal nos trópicos. Acontece que não estou absolutamente imbuída do espírito natalício. Não sei o que é um Natal longe do Centro Comercial Colombo, da Fnac a abarrotar, do Ikea em Alfragide. Do frio, meu deus, do frio. Das discussões familiares sobre quem vai buscar o Leite de Creme da mãe, o Sericaia e a própria da mãe, a Massamá City, fazer o IC 19 às sete da tarde de 24 e depois deslocar-se, mais os quarenta sacos de presentes das crianças. Que não ajudo nada, que não faço nada, que ela ainda tem que se arranjar e tem o cabelo todo a cheirar ao açucar queimado do Leite de Creme. E além disso quem leva o Lombo de Porco que a sra. minha mãe é alentejana e se já telefonei aos meus primos que me queriam ver tanto e à tia Maria de Lourdes que nunca mais te viu e partiu a bacia, o que iria pensar o tio Leopoldo. Não podes ser assim, Mónica Maria, mas sou e acabamos sempre semizangadas na mesa da ceia, e passa lá o azeite de ladecos e assim.
Este ano meu nome é Gal e não faz mal eu amo igual, mas tou triste e não posso dizer nada. Incompreendida. Sabem lá os índios, o que custa passar o dia 24 a torrar na praia, de cara alegre e o dia 25 sem comer Roupa Velha e as farófias desfeitas e as intocadas fatias douradas da Avó Luísa, também ela brigada com a tia Rosarinho.
A Árvore de Natal está aqui ao lado, pindérica e falsa, com bolas compradas na Saara e fitas nojentas que aí, nem na loja dos chineses. O pé de côco na rua está todo iluminado e está lindo, ao som de uma versão samba do jingle bells. Ah e também não queiram saber a agradável sensação que se tem ao deglutir rabanadas debaixo de um sol de 40 graus.
E agora riam, que nem a cabeleireira que há em mim (plagiada, Sofia) consegue achar graça alguma a isto.
PS- nunca comam uma coisa que os estúpidos dos italianos pra qui trouxeram e que eles todos acham o máximo, porque é italiana e não portuguesa, mas que se atira às paredes e sabe a esponja: o panetonne.

Heróis do Mar (saudades da terrinha)

12.12.07

Frente Fria







no Rio.

11.12.07

O anónimo


Ontem atravessando a Ataúlfo de Paiva, quando o sinal fechou, em frente aos correios, em direcção à Praça Antero de Quental.
Contemporânea dele e na cidade dele. Atravessei, mesmo sem ter que o fazer, claro.
A benção Rubem Fonseca.

5.12.07

Volto Já


3.12.07

Eu, hoje de manhã

Por cá, tesão não é adjectivo que qualifique o entusiasmo por algo ou alguém: é, antes, um substantivo que define um estado, uma sensação. Não especialmente bonita, nem corriqueira. Aqui, uma pessoa não é um tesão; antes, tem-se tesão por essa pessoa. O ser objecto da tesão do outro não resulta de uma apreciação quase, quase, objectiva (enfatizada, aliás, pelo uso do verbo ser) mas de uma mais íntima e subjectiva, e daí o verbo sentir: eu tenho, eu sinto, tesão. E é feminina, claro. Só por isto, já não poderia ser coisa leve, boa ou apreciativa; a tesão daqui é interior e complicada, é chata e pesada; é uma espécie de incómodo, a aplacar ou a enxotar de vez. Está perto da emoção, e daí o rebuço em confessá-la. Já aquilo a que chamamos de tesão intelectual, de intelectual não tem nada. É, sim, coisa de bicho, que se sente pelo intelecto do outro. Coisa de bicho, sim, que nos inquieta e comicha mesmo que o outro seja marreco e coxo. Um intelecto tesudo manifesta-se na conversa, na escrita e, não obstante, sentimo-lo entre pernas e nos desvios de ar quente. Não é uma mera constatação, a tesão lusa: é uma manifestação física que pode ter consequências futuras, como bebés ou providências cautelares a impedir aproximações a menos de cem metros. No fundo, o tesão é fácil e inconsequente; é, obviamente, um pito de homem aos saltos - fácil de falar, de brincar, de exorcizar e vencer.
Fotografia roubada do Da Literatura. Faz tempo.