Um blog da diáspora blasée
23.1.08
Taxi driver
21.1.08
A ver se leio o Monte dos Vendavais
18.1.08
16.1.08
Maybe i´m the one with the red hair
Irrita-me a frase Eu tenho uma vida. Irrita-me, irrita-me mesmo. Mas deixo que a digas, pior deixo que ma digas. Pode ser que te faça sentir melhor. Ás vezes não acordamos todas assarapantadas? Eu que tenho acordares de monstra, sei o que isso é, percebo-te e lá onde falamos, para que me ajudes a manter a minha sanidade mental, escrevo: RISOS. Depois viro-me na cadeira, torço-me um bocadinho, esfrego os olhos - mais do que devia porque me enruga - e deixo-te um bocado a teclar pró boneco, agora vais ficar aí a teclar pró boneco, até que te canses. Invejo-te. Invejo a certeza que pões nas palavras, invejo aquele Eu tenho tão assertivo. Porque desde os tempos em que ouvia aqueles rapazes de Sagres, devia ter praí uns dezassete anos e em que te escrevia aquelas cartas com a caneta vermelha, que se me esvaiu a assertividade. Todos os anos um bocadinho e tanto, que ás vezes chego a gostar da vida que levo. E no entanto, ai ajuda-me lá como é que era? Beijos não se pedem, dão-se?Foto gentilmente cedida pelo Deus.
15.1.08
14.1.08
SushiLeblon Delivery

13.1.08
Prof. Alfredo Zieger
De cada vez que tal acontecia, e cada vez acontecia com mais freqüência, Marta sentia-se altamente perseguida e chegava a levar as coisas para o campo pessoal. Não sem alguma razão, que via ela agora, as relações com essas figuras sinistras que eram os editores, tinham cambiantes bastante nebulosos, quase pornográficos. Nada que ela não tivesse sempre imaginado, Sebastião havia sido por alguns anos assistente editorial e contara-lhe cenas mais ou menos picantes entre outros editores, ela estranhava porque nunca ele e algumas autoras ou candidatas a autoras, que perdiam a cabeça e os bons costumes só da possibilidade de se verem editadas.
Mas para Marta, pior que vir a ter que abrir as perninhas, era a sensação de que aquele homem sabia já mais dela e da sua incapacidade literária que qualquer outro, Miguel, Sebastião ou o próprio Professor Alfredo Zieger, psiquiatra renomado, a quem se habituara a mentir desvairadamente.
11.1.08
ora, ora...
10.1.08
Sebastian thinking
8.1.08
Padaria Rio-Lisboa
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Tempo abafado, bifes com batatas fritas para o jantar. A ler O Romance Acabou, do Rubem Fonseca. Mas às vezes preciso de ler coisas anglo-saxónicas. Oiço Burt Bacharach, não escrevo a ponta de uma frase de jeito. O meu filho ganhou o tal celular. A padaria Rio-Lisboa continua suja imunda, que aqui não há Asaes. Lá, compro sempre um frango assado que costuma ser transportado a arrastar pelo chão. Quem quer também compra umas batatas calabresas, feitas na gordura que os frangos vão escorrendo enquanto assam na máquina. Um nojo, mas especialmente saborosas. Saiu no Globo que as praias estão todas impróprias. Muito coliforme fecal. Cócós a boiar. Achei o mar, hoje de manhã, especialmente caudaloso. Os putos surfaram toda a manhã. Voltei a correr. A cara da Marisa Letícia está igual à da Marta Suplicy. Pensei que podia estar grávida durante toda a semana passada, pensei nos nomes: Rosarinho, que era o nome da minha tia, ou Salvador já que me viria salvar de um descalabro eminente. Já ia a Lisboa, também. Era um pão na chapa e um cafezinho, Seu Zé, por favor.
6.1.08
Love Story
Apressemo-nos, que apesar destas deprimentes considerações, Sebastião continuava a querer estar com Marta, e cada vez mais e exatamente dessa outra maneira que todos sabemos qual é, e que nos fez rir à toa, dado o seu problema de expressão, causado mais por embaraço que por totozice, mas não sejamos nunca caridosos com Sebastião, que deitado, de pau duro numa cama e fodendo à bruta ou comendo-a como nunca ninguém, inspirava tudo menos caridade. Havia no entanto, um pequeno atenuante, Sebastião, o megalomaníaco, rabugento, arrogante, estava passadinho de todo, talvez apaixonado.
4.1.08
Aganju
3.1.08
2.1.08
Não gostar nada de mulherzinhas
29.12.07
No banho
Então já lá no reino das idéias,completamente debaixo de àgua, ocorreu-me a cena das almas gêmeas e onde é que elas se postam e onde e como aparecem e o raio que as parta, logo seguida da constatação lugar comum, óbvia e esquerdista da merda, de que a praia é o lugar mais democrático do Rio de Janeiro. E infelizmente é.
Sobre as almas gêmeas eu odeio a minha já viram, se bem que ontem, após o bundólogo ter vindo amoroso, num pulinho a casa buscar dois vodkas tónicos trinta minutos antes do sol se pôr atrás dos dois irmãos, numa palete de tons que agradaria a Turner, se bem que ontem, eu ia dizendo, ela quase me ter parecido uma alminha boa.
Por certo a altura do ano e o calor de quarenta graus amoleciam minha mente, (vejam que até dropo o Turner) meus olhos, meu corpo aparvalhado da cabeça aos pés. Mas sim, achei-a uma alminha boa e lembrei-me de quando ela me fazia vir, lapsus linguae, rir.
Agora a praia. A praia também é um romance giro do Alex Garland, isso lembra a Tailândia e se quisesse divagaria, mas ainda não tomei nem uminha, incapaz, tão longe fica a Tailândia, há um hotel em Bangkok e outro em Pucket e sim e pois. Not my beach, in english ou em português, não vamos por aí que essa não é a minha praia.
A minha praia é a do Leblon, frente à barraca do Panela, copos de plástico no chão, cocos, velas com pedidos a Iemanjá, todos os moradores da Cruzada São Sebastião, alguns do Vidigal, Luana Piovani, Dado Dollabela. Não é uma praia fácil. Principalmente num Domingo de Verão, mas é a minha e quando não estou para Caiçaras, misturo-me que é pra não ser parva. Na juventude ouvi o Sérgio Godinho e fui duas vezes à festa do Avante.
O processo criativo nesta casa (odeio quando os bloggers se referem assim ao blogue e a si, odeio ser considerada uma blogger, mas ao mesmo tempo talvez seja engraçado passar a preencher papelada assim: Blogger-Do Lar) é deprimente.
Quatro blogs que eu gosto e tiveram a lata de vir dizer que gostam deste blog cujo assunto é sempre de ir ao cu, ai desculpem, hemorroidal: Pedro Rolo Duarte, Destaques a Amarelo, Berra-Boi, Nuno Miguel Guedes. Eu sabia que tinham bom gosto.
26.12.07
A Caloi
24.12.07
21.12.07
20.12.07
azul por todos os lados
14.12.07
13.12.07
Um Natal Tropical
Este ano meu nome é Gal e não faz mal eu amo igual, mas tou triste e não posso dizer nada. Incompreendida. Sabem lá os índios, o que custa passar o dia 24 a torrar na praia, de cara alegre e o dia 25 sem comer Roupa Velha e as farófias desfeitas e as intocadas fatias douradas da Avó Luísa, também ela brigada com a tia Rosarinho.
A Árvore de Natal está aqui ao lado, pindérica e falsa, com bolas compradas na Saara e fitas nojentas que aí, nem na loja dos chineses. O pé de côco na rua está todo iluminado e está lindo, ao som de uma versão samba do jingle bells. Ah e também não queiram saber a agradável sensação que se tem ao deglutir rabanadas debaixo de um sol de 40 graus.
12.12.07
11.12.07
O anónimo

3.12.07
Eu, hoje de manhã
Por cá, tesão não é adjectivo que qualifique o entusiasmo por algo ou alguém: é, antes, um substantivo que define um estado, uma sensação. Não especialmente bonita, nem corriqueira. Aqui, uma pessoa não é um tesão; antes, tem-se tesão por essa pessoa. O ser objecto da tesão do outro não resulta de uma apreciação quase, quase, objectiva (enfatizada, aliás, pelo uso do verbo ser) mas de uma mais íntima e subjectiva, e daí o verbo sentir: eu tenho, eu sinto, tesão. E é feminina, claro. Só por isto, já não poderia ser coisa leve, boa ou apreciativa; a tesão daqui é interior e complicada, é chata e pesada; é uma espécie de incómodo, a aplacar ou a enxotar de vez. Está perto da emoção, e daí o rebuço em confessá-la. Já aquilo a que chamamos de tesão intelectual, de intelectual não tem nada. É, sim, coisa de bicho, que se sente pelo intelecto do outro. Coisa de bicho, sim, que nos inquieta e comicha mesmo que o outro seja marreco e coxo. Um intelecto tesudo manifesta-se na conversa, na escrita e, não obstante, sentimo-lo entre pernas e nos desvios de ar quente. Não é uma mera constatação, a tesão lusa: é uma manifestação física que pode ter consequências futuras, como bebés ou providências cautelares a impedir aproximações a menos de cem metros. No fundo, o tesão é fácil e inconsequente; é, obviamente, um pito de homem aos saltos - fácil de falar, de brincar, de exorcizar e vencer.







