Um blog da diáspora blasée
26.11.08
Transas all over Lisbon
25.11.08
20.11.08
Jaquinzinhos e descobertas moldavas
14.11.08
um segundo cálice antes de
13.11.08
9.11.08
7.11.08
Penélope Charmosa
3.11.08
29.10.08
no lugar do morto
28.10.08
a capa do meu vestido (very sentimental)
24.10.08
21.10.08
Think I'm gonna get me some happy

Visitar o fundo do poço, ah então é isto, e sair de lá à bruta. Muita conversa sobre livros muita síndrome de Zuckerman e um editor a quem o Harold Bloom chamaria um Anjo-Caído. É sobre viver entre o Rio e Lisboa. E poder gostar de duas cidades ao mesmo tempo. Como de dois homens. Ou, se quiserem, é um livro sobre patinação no gelo.
19.10.08
18.10.08
Original CHIC mix
Este blog deve o novo look fantástico e um grande upgrade no ego, à Sofia Barbosa, ao Pedro Vieira, ao dr. Zieger, para sempre guardado longe da net no consultório da Rua Farani e a doses maciças de Diana Ross desde a mais tenra idade. Aos quatro, obrigada.
16.10.08
Y.M.C.A.
14.10.08
«Ninguém se chama Sara Jéssica»
10.10.08
M.M.

9.10.08
8.10.08
Papo cabeça no Baixo-Gávea
5.10.08
A felicidade é uma coisa esquisita
2.10.08
1.10.08
29.9.08
26.9.08
Vá, invejem.
25.9.08
Olhos de ressaca
NÃO FAZIA A MÍNIMA – naquela altura já era um produtor com nome feito no mercado – do porquê daquela fantasia exótica de organizar um evento em que o objetivo era colocar um bando de anormais a ler Machado de Assis, em voz alta, por oito horas seguidas.
A rotina, ou talvez a falta de uma razão para viver. Só podia. Estava assim, desde que Duda o atirara para escanteio, como ela, tão linda, lhe dizia sem dó nem piedade, ao som de todos os cd´s de Martnália, que ele comprara para lhe agradar.
As noites tinham ficado sem graça. E os dias, rodeado de mulheres portuguesas, sem cintura, tornavam-no um homem ressentido. Queria a paixão. Mesmo que ela lhe tivesse mentido com todos os dentes branqueados, que tinha trazido na boca, da última viagem ao Rio. Tão linda, tão linda, tão linda outra vez. Estava cego na luz dos seus dentes e pedia-lhe, nesses tempos sem vergonha, Sorri para mim, Duda, vá lá. E depois acabavam a rir muito daquela estupidez. E era esta a Maria Eduarda de todos os poderes e mais os daquele seu santo, que o deixava totalmente desnorteado. A ponto de organizar maratonas literárias, usando o nome do mulato carioca como pretexto, só para ver se ela aparecia, talvez com saudades do tempo de escola em que, obrigada pelo excelso ministério da educação, aprendera a dizer adeus a todos os seus namorados com olhos de ressaca.
24.9.08
O mar estava a puxar
Em Agosto havia o Alentejo, as praias do Alentejo com ondas e mar gelado, lancheiras com sandes de Panrico e sumo de laranja Tang que gostava de preparar para as crianças, como sua mãe havia feito para ele e seus irmãos, nos verões da sua infância.
Vasco gostava de coisas simples carros desarrumados e sujos. Mas tinha um problema para resolver e então olhava para os pés e lá estava o problema. Enterrava o chapéu de sol azul na areia e sentava-se na cadeira de lona amarela da praia, tentando descobrir alguma coisa interessante para ler nos vários cadernos do Expresso. E lá estava o problema. Besuntava as crianças com protetor solar e o problema ficava-lhe incrivelmente colado às mãos. Depois da praia, comer ameijoas estava fora de questão e isso é que era mesmo uma chatice, porque adorava os moluscos.
Poderia nunca mais lhe ligar. Mudar o número de telefone.
Em dias de grande alucinação mental achou até que a salvação era finalmente concorrer ao MNE e sair de Portugal. Mas depois sabia por algum acaso, um ou outro cheiro, que continuava apaixonado por ela. E achava que a víbora, com certeza, lhe apareceria também no Uganda, nas bolhas de moet, ele distraído em algum beberete, vendo pretas de lábios giros e rodeado de pretos soberbos e corruptos. Talvez se tentasse a Estónia. Ela nunca lhe apareceria na Estónia. Vasco mergulhou e quando voltou à superfície agarrou-se a uma rocha com muita força, porque o mar estava a puxar muito. Mas infelizmente, ainda teve tempo de pensar nela.



